quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Procedimentos da Fiscalização do IPHAN é apresentado à comunidade

A portaria 187/2012, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan, que regulamenta os procedimentos para apuração de infrações cometidas contra o patrimônio cultural entrou em vigor em 2010. Desta forma, quem danificar um bem tombado pelo Iphan, poderá ser notificado e multado.
 
Outra novidade é o estabelecimento formal de níveis de defesa e recurso para o cidadão que discordar da ação da fiscalização. A Portaria 187/2010 manteve a utilização de dois instrumentos já aplicados pelo Iphan: a Notificação para Apresentação de Documentos, para os casos de intervenção em bem tombado sem autorização quando não houver danos, e o Termo de Embargo para obras irregulares ainda em andamento. Com essas medidas, o Iphan reforça suas atribuições como órgão fiscalizador, atuando de forma pró-ativa e consolidando-se como agente de serviço público capaz de exercer as suas prerrogativas.
 
Assim, está sendo executado na cidade de São Cristóvão o plano de ação que informará a comunidade sobre os procedimentos de fiscalização e trará também informações pertinentes sobre o sítio tombado.
 
O plano de ação consitui-se em entregar em cada casa do perímetro tombado de São Cristóvão a cartilha informativa, e realizar reuniões setoriais com a comunidade.
 
Este trabalho está sendo realizado desde o ano de 2011, e já realizamos três reuniões. A próxima reunião será no dia 25 de Setembro de 2012 às 19h30' na Casa do IPHAN situada na Praça São Francisco, 50 em São Cristóvão.
 
Aberta a toda comunidade.
 
Maiores informações: (79) 3261.1436
                                   e-mail: casadoiphansc@hotmail.com

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cidades Históricas de Sergipe atraem turistas

As cidades de Laranjeiras e São Cristóvão trazem muita cultura agregada ao seu patrimônio histórico, atraindo turistas de todos os cantos do Brasil e do mundo para conhecê-las. São Cristóvão é uma cidade encantadora e repleta de patrimônio material e imaterial, que se transforma em objeto turístico. Lá, foram investidos cerca de 9 milhões pelo projeto do governo federal, Programa Monumenta, que beneficiou muitos de seus pontos turísticos, como a Praça São Francisco, a Igreja da Matriz, a Casa das Irmãs e o Lar Imaculada, que logo será uma pousada com 10 apartamentos.

Na cidade existe o Museu de Sergipe, Museu de Arte Sacra e a linda Casa do Saberes e Fazeres, conhecida também como a Casa das Bonecas, onde as próprias bonequeiras a administram. Além disso, pode ser encontrada na cidade a Casa do Folclore, que reúne um pouco do folclore sergipano. “A cidade que tem tanta coisa para mostrar como a igreja e a Praça São Francisco, que são reconhecidas mundialmente, temos sobrados, casas antigas, ruas, ladeiras, becos, e tudo que conta a história daqui. Os grupos folclóricos estão prontos e arrumados para receber os turistas, além disso, ultimamente tivemos a reforma da Igreja Matriz e muitas outras que beneficiam nossa cidade.” Disse a Secretária de Cultura da cidade de São Cristóvão, Aglaé Fontes.

Para Aline Carvalho, paulista que veio a passeio para Sergipe com o marido, a cidade histórica de São Cristóvão é encantadora e com um grande valor cultural. “Somos de São Paulo e estamos hospedados em Aracaju, viemos a São Cristóvão para conhecer toda a cultura daqui e um pouco sobre as festas que ocorrem na cidade, além de aprender mais sobre o valor cultural e histórico dessa cidade tão antiga e bela”, disse.

De acordo com a arquiteta da Emsetur, Luciana Machado, com o investimento feito nas cidades históricas de São Cristóvão e Laranjeiras, houve a possibilidade dos próprios moradores começarem a investir em pequenos negócios, preparando assim a cidade para receber os turistas que a visitam.

Já em Laranjeiras foram investidos cerca de 7 milhões para restaurar seus monumentos e espaços públicos, além disso, foram construídos também o Bureaux de Informações Turísticas, o espaço é um balcão de informações e um lugar onde podem ser encontrados a Secretária de Cultura da cidade e a Secretária de Turismo. Em parceria com o Ministério do Turismo também foi construída a Casa do Artesanato, uma casa de produção artesanal que abriga os artesãos da cidade e onde além de funcionar como local de produção artesanal é o local de venda.
Para Irineu Fontes, Secretário de Cultura de Laranjeiras, a cidade possui muita beleza e cultura. “Foram reconstruídos vários prédios e monumentos da cidade e hoje ela está ainda mais bonita, seus grupos folclóricos estão mais organizados e recebemos diversas obras que beneficiam o turismo, como o Quarteirão do Trapixe e  um centro comercial com 24 lojas”, informou.
Robermar Vieira, veio do Rio de Janeiro com seus irmãos para conhecer Laranjeiras e afirmou estar maravilhado com a cidade. “É muito interessante conhecer a cultura desta cidade histórica tão encantadora, que possui muitos pontos que podemos visitar, estou maravilhado com a arquitetura da cidade e pretendo conhecer muito mais.”

São Cristovão
Obras em Monumentos
Convento e Igreja de Santa Cruz, Lar Imaculada Conceição, Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Sobrado da Antiga Ouvidoria, Museu Histórico do Estado de Sergipe.

Obras em Espaços Públicos
Praça da Bandeira e fachada da Capela dos Capuchinhos, Praça São Francisco, Praça Senhor dos Passos (Largo do Carmo), Ladeira de Epaminondas (Beco da Poesia), Ladeira do Porto da Banca, Ladeira do Açougue, Beco do Amparo, Largo do Rosário.

Laranjeiras
Obras em Monumentos
Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, Quarteirão dos Trapiches, Casarão dos Rollemberg e Sobrado ao lado, Casarão de Oitão da Praça da República.
Obras em Espaços Públicos
Praça Samuel de Oliveira, Calçadão Getúlio Vargas, Praça Cel. José de Faro, Av. Municipal, Praça Sagrado Coração de Jesus, Praça da República, Praça do Trapiche Santo Antônio.
 
Fonte: Setur e Emsetur


sábado, 15 de setembro de 2012

Os mitos e os fatos sobre a Zona de Expansão de Aracaju

*José Dias Firmo dos Santos

As ações ajuizadas questionando a titularidade do município de Aracaju na cobrança de IPTU sobre os imóveis dos povoados da Zona de Expansão de Aracaju e as ações que tramitam reivindicando a propriedade da área, se de Aracaju ou de São Cristovão, além das notícias sobre investimentos na infraestrutura e em equipamentos públicos têm trazido à baila uma série de questionamentos e todo tipo de entendimento jurídico e político.

Considerando que o período eleitoral acirra estes questionamentos e entendimentos, vemos de lado a lado uma avalanche de informações, algumas poucas são fatos e muitas não passam de mitos.

Antes de tudo abstraio os interesses eleitorais de qualquer grupo político para tecer alguns comentários dentro daquilo que consigo entender desse embróglio todo.

A primeira ação declaratória de nulidade de registro imobiliário e inexistência de relação jurídico tributária contra o município de Aracaju foi ajuizada em fevereiro de 1998 pela Diniz Empreendimentos S/A e a decisão inicial da Justiça Sergipana foi pela inconstitucionalidade incidental, ou seja, a decisão alcançaria apenas a Diniz Empreendimentos, autora da ação. Mais adiante ao julgar a apelação da Diniz, tanto a relatora, Desa. Marilza Maynard Salgado de Carvalho, quanto o pleno do tribunal declararam inconstitucionais o artigo 37, § 2º dos Atos das Disposições Transitórias da Constituição Estadual e a Emenda Constitucional 16/99.

Esta decisão acima gerou, grosso modo, precedente jurisprudencial, o que desencadeou nas demais ações e nas cobranças do município aos contribuintes devedores ou que resistiam em pagar os tributos a Aracaju.

As ações do Município de São Cristovão tentando reaver aquele território são reachadas de lances curiosos. O primeiro deles é que a Douta Justiça Sergipana determinou em dado momento que “os limites entre os municípios de Aracaju e São Cristovão devem voltar a ser os previstos pela legislação anterior, isto é, Lei nº. 554, de 6.2.1954”. Em outro momento a Justiça diz que está “reconhecendo a Inconstitucionalidade do artigo 37, do ADCT, da Constituição do Estado de Sergipe e, consequentemente, a inexistência de relação jurídica entre o Município de Aracaju e os Povoados Mosqueiro, Areia Branca, São José, Robalo e Terra Dura.”.

Vejam a confusão: os limites previstos na Lei nº. 554/54 não açambarcam todos os povoados na sua inteireza, como a Justiça em dado momento determina.
Pelo mapa do limite anterior à Constituição de 1990, uma ínfima parte de toda região seria devolvida a São Cristovão.

Por outro lado, a Prefeitura de Aracaju demonstra (por desinformação ou propositadamente) que não sabe o que é Zona de Expansão. A Lei Municipal nº. 873, de 01 de outubro de 1982 é quem define a divisão dos bairros de Aracaju e o limite desses com a Zona de Expansão, senão vejamos: “Art. 3º - Para efeitos de planejamento urbano e futura delimitação quando da sua ocupação, considera-se como ZONA DE EXPANSÃO toda a área situada dentro do seguinte limite: - Toda a rua que passa ao lado da PETROBRÁS (TECARMO); - Trecho da Av. Melício Machado iniciando na rua que passa ao lado da PETROBRÁS até a Faixa de Servidão de Oleoduto; - Trecho da Faixa de Servidão de Oleoduto iniciando na Av. Melício Machado até o Canal de Santa Maria; - Trecho do Canal Santa Maria iniciando na Faixa de Servidão do Oleoduto até o Rio Pitanga; - Trecho do Rio Pitanga iniciando no Canal Santa Maria até a Estrada de Ferro da RFSF/SA; - Trecho da Estrada de Ferro da RFF/SA iniciando no Rio Pitanga até o limite do Município de Aracaju com o Município de São Cristóvão; - Trecho do limite do Município de Aracaju com o Município de São Cristóvão iniciando na Estrada de Ferro da RFF/SA até a margem do Oceano Atlântico; - Trecho da margem do Oceano Atlântico iniciando no limite do Município de Aracaju com o Município de São Cristóvão até a rua que passa ao lado da PETROBRÁS (TECARMO)”, ou seja a Zona de Expansão é uma definição legal e originalmente teria os limites acima descritos.

Mas, é também verdade que a mesma Lei 873/1982, definiu o Perímetro Urbano (os bairros) a fim de diferenciar da Zona de Expansão. Assim, quando leis posteriores criaram novos bairros, como Santa Maria e 17 de Março, desmembrando da Zona de Expansão, estas áreas deixaram de ser Zona de Expansão. Passam a ser bairros.

Além disso, como visto no artigo 3º da Lei 873/82, a Zona de Expansão de Aracaju só começa a partir do Tecarmo, o que significa dizer que os investimentos feitos nos conjuntos residenciais Beira Mar e Costa do Sol não são investimentos feitos na Zona de Expansão, são feitos no bairro Atalaia.

Com isso outro mito é desfeito ou esclarecido: não houve investimento da prefeitura municipal da ordem de R$ 50 milhões na Zona de Expansão nos últimos anos, como alguns dizem e como outros repetem como papagaios. Os investimentos foram de apenas R$ 6.646,009,52, sendo que R$ 5.000.000,00 na Orla Por do Sol, que não é um equipamento essencial para a população pobre daqui; R$ 729.989,77 na reconstrução da Escola José Carlos Teixeira e R$ 916.019,75 na reforma da Escola Tênisson Ribeiro. E está em andamento a obra de reconstrução da Escola Elias Montalvão, que tem previsão de custar R$ 2,3 milhos.

Nestes 48% de Aracaju estão somente três unidades básicas de saúde das 43 que temos na capital; apenas cinco escolas, das mais de setenta existentes na rede municipal. Não temos creches, praças, campos de futebol, saneamento básico, drenagem e temos precariamente iluminação pública, coleta de lixo e transporte coletivo. E a burguesia está destruindo as lagoas, as dunas e o manguezal. Que amor é esse pela verdadeira e legal Zona de Expansão se estamos abandonados aqui?

É muito bom que todos se preocupem com a manutenção da Zona de Expansão em Aracaju, o que representa 48% do total do território da cidade, porém é importante que os fatos sejam postos como eles são e que as preocupações dos discursos de hoje continuem depois do dia 7 de outubro e que sejam postas em prática no futuro

*Vice-Presidente da Associação Desportiva, Cultural e Ambiental do Robalo – ADCAR.